quinta-feira, 2 de março de 2017

Filha de Xangô

Seria perfeitamente normal se eu dissesse que não sinto mais algumas coisas. Normal pra mim, claro, mas mesmo perdida encontrei, ser livre e pertencer eram distantes e distintos demais pra mim... 
Ela mexeu comigo, bagunçou meu sentimento e escolheu ficar quando todas as outras escolheram partir. Ela deu a cara a tapa, combinou seus beijos e me envolveu em sorriso. 
Ela me conquistou pouco a pouco, com toda a paciência do mundo, com a consciência de que estava lidando com alguém cansada e machucada. Combinou o nascer do sol com meus cabelos voando e entre olhares sorriu, sorri pra mim... Me ganhou enquanto me fez suar no frio e com todo carinho singular, todos os pequenos detalhes de segurar na minha mão ou me olhar enquanto durmo. 
Pediu para eu não ter medo. E pela primeira vez em muito tempo estou aberta. 
Estou entregue. 
A filha de Xangô me quis. 
A filha de Xangô me tem.

06.06.2015

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Éle&Dê


Vinte e oito de dezembro de dois mil e nove.
Aconteceu Luis.
Uma praça, sorriso de adolescente apaixonado, e depois de um aperto no estômago e um beijo aconteceu nós.
Nesse dia o presente foi um colar, e ele não ganhou só isso...
Ambos souberam que aquilo seria tudo, menos pequeno, que a intensidade levaria anos para se desfazer mas mesmo com os anos ela não se desfez. Aconteceu o amor.
Luis teve grande importância mostrando que a lâmina que curava minha alma também o fazia sangrar, a abstinência foi curada com doses de olhares apaixonados que veio de brinde com o sorriso.
Eu não saberia explicar tamanha sintonia entre duas pessoas, há quem diga que a pureza e a força do sentimento nunca nem sequer se foi, e o momento em que liam "eu te amo" um do outro, o frio na barriga gritava.
Foram meses de músicas representativas e uma significância incondicional, e aos poucos o que parecia certo foi ficando cada vez mais visível. Ficou marcado na pele para que a lembrança pudesse ser levado para onde quer que fosse, com paixão ou não.
Acertar sempre foi um desafio, dentro dos pesares e dos poucos acertos havia algo mais forte que segurava, sempre houve a consciência de que amor maior não haveria e que listar isso era impossível.
"Ando pela cidade pensando, é vazio sem você."
Mantive uma distância confortável que vez ou outra um semblante me fazia sorrir, ligação de outra vida, todo esse tempo e o sorriso que representa o carinho que nunca deixará de habitar.
Luis vinculou todos os seus erros e acertos com o riso frouxo e os olhos lacrimejando, era utópica a plenitude de uma paz que sempre quis buscar mas nunca teve firmeza pra isso, dizia que via isso em mim.
Me tornei sua.
Assistir tombos e recaídas, tropeços e desacertos com a esperança do próximo passo ser mais forte e ajustável conforme o tempo e a maturidade.
- Eu nem sei mais o que estou escrevendo, me ajuda. -







Luis levou sua própria vida e com a dele uma grande parte da minha.
Um pedaço, uma metade.
"Olhar suas fotos e querer ter te conhecido desde sempre."

05:45 am
27/04/2015

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Ela tem um jeito doce de me olhar, diferente de todos os olhares que já recebi. É uma mistura de carinho com desejo, tem respeito e reciprocidade vindo de mim. É um encontro entre dois seres que foram unidos em outras vidas, uma sintonia única que o desencontro parece se apossar.
Ela também tem medo de sentir, esse sentir que tanto procuro.
Não sei ao certo se é vírgula, ponto ou reticências mas reconheço aquele sorriso de entrega da mesma forma que noto de longe o medo de se entregar.
Ela me conhece e nem sabe, ela é importante e nem percebe, ela me teve e pode continuar tendo, só não quer.
Deixa estar, é só mais uma madrugada e estou cansada de cansar.
Dormir.

Março/2015

sábado, 18 de abril de 2015




Eu poderia escrever um texto ou um trecho de música para completar a foto de uma manhã cheia de olheira depois de uma noite de trabalho sem dormir, mas estou escrevendo apenas para driblar um pouco dessa bagunça que se encontra em mim agora.
É muito mais que pele, é muito mais que olhar, é muito mais que só se deixar levar... É crescer, pertencer, é modificar...
São zilhões de sentimentos engasgados e atolados na garganta presos em uma espécie de labirinto onde não se pode correr e nem ficar parada, me vejo perdida em mim.
Um amaranhado de "não sei", "talvez", moça.

Eu poderia escrever um texto ou um trecho de música ou apenas palavras jogadas aleatoriamente pelo cansaço...

18/04/2015
10:17

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Um estouro, um bombardeio de pensamentos passou pela minha cabeça desde a primeira vez que te vi. Hoje você virou essas linhas para que eu pudesse lembrar em algum momento breve da vida da minha paixão repentina que passou e não deixou rastros quando partiu, só seu cheiro em mim. Era madrugada, havia muitas pessoas desconhecidas em volta e por algum motivo sem sentido me reconheci, uma voz, um violão, uma música... Cantamos e seus lábios se mexiam com os meus. Um tempo, um carro parado, uma preocupação, um beijo e um enjoo pequeno no estômago.

Era o desejo escondido nos olhos escorrendo pelo rosto e parando na boca.

Passou, mesmo não querendo que passasse, mesmo sabendo que você não gostaria que passasse.
E eu digo mentalmente:"Me olha, me vê".

- Me enxerga!

Sou bem mais que olhos famintos que devoram seu corpo sem poder encostar.

abril/2015

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Saliente

Rasgada estou entregue ao mar de gente que insiste em me despir, despida de todo o propósito que faz a alma sorrir e o coração disparar, ao caos me faço livre e em meu corpo faço abrigo de outros corpos para acariciar o que sobrou do meu ego destruido por você.
E em absurdos instantes de saudade eu tenho a certeza de que independente do lugar onde acerto minhas flechas ou infinco minhas entranhas, onde o gozo é livre e o choro é literario, eu veja que de impura e desconcertante me possuiu a imensa vontade de ser qualquer coisa.
Basta eu ter vontade de ser.
Não me chame do que sempre gostou.
Abandonada em um cobertor de gente, o mundo me fez leviana, luz opaca, vez ou outra brilha quando lembra ser e quando cansa de estar. 
Viajo por entre memórias que parecem bonitas e dores que não aparentam doer... Não quando não foi você quem as sentiu.
Comecei pensando em musicar mas há muito sono e vazio em mim agora.
Vou dormir.

08/02/2015
06:56am

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Pois.

Eu nunca acreditei no amor, por mais que eu insista do contrário e sei que você também nunca acreditou.
Sempre achei mentirosa aquela visão de família perfeita onde vomita e caga regra o tempo todo, todo o tempo, sempre. Sorrisos plastificados, aquela vaidade estranha que causa inveja em pessoas normais.
Eu nunca quis um amor, mas sempre quis amar, pensei muitas vezes que eu não seria apta desse tal sentimento e que as meras paixões que tive fossem suficiente para preencher essa cota estranha de sentimentalismo que faz o peito apertar (estranho o coração ser um orgão involuntário e doer quando  se está triste, aumenta mais minha curiosidade de aprender mais sobre ele) e faz eu sorrir quando eu quero mais é sair correndo pra longe de tudo e longe de todos.
Desde sempre quis alguém para poder arrotar, andar descalça pela casa, rir comigo ou de mim, que fizesse idiotices e ainda assim me achasse bonita, porque isso é algo que eu nunca achei de mim mesma. Sair de madrugada pra comprar refrigerante e tremer por causa do frio e ainda assim achar graça nisso porque ter alguém é especial, te faz ter umas coragens bobas que antes você não tinha, te faz querer subir e ir pra frente, e outras vezes te enche de preguiça como se a semana fosse um eterno domingo enrolada no lençol ou no cobertor azul. Porque amar não é apenas ter alguém para dizer que ama, é ter essa capacidade de ser sincero com o seu corpo, com o seus olhos para outro alguém, é a saudade que sente quando faz algo muito importante e queria que aquela pessoa que morde sua barriga estivesse ao seu lado pra celebrar com você, amar é fazer questão mesmo quando você quer o inverso de tudo isso.
Te amei, e sempre que sinto que você está sumindo de mim, o sonho te traz de volta como aquele beijo repentino que roubou depois do boa noite, sempre que eu estou triste ouço minha voz dizendo:

"Tenta de novo"

Mesmo que não haja mais nada para tentar.

Deb.
14/01/2015
13:18

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

útero da terra.


Parecia que Novembro não acabaria nunca por conta da chuva insistente que persegue o mês, mas Dezembro não chegou muito diferente... As gotas caem, cai o mundo, cai a vida, cai um mar dos olhos e cabelos do couro cabeludo.
Projetada por cinco arcos em chamas e flechas sem corte e mal direcionadas pelo vento que insiste em vir torto.
Sou a bússula que nunca aponta para o norte, sem protocolos, sem se importar com o vento e o posicionamento do veleiro.
À deriva estou e pela primeira vez...
De propósito, sem ressentimento.
Só sendo.
Só ser.

sábado, 15 de novembro de 2014

06:18 am

"Dos sentimentos que provei e jamais propositadamente."


O romance surgiu em meio aos caos, digo isso porque estava um alvoroço dentro do peito, não sabia mais se sentia demasiado ou não sentia nada. Neutro, talvez... Eu não sei.
O que aconteceu após o beijo e as noites bem dormidas não significaram tanto, sendo tudo escondido (mesmo explícito) um dia saíram e entre seus destinos havia um sinaleiro, entre cores, o vermelho.
Ele desce e atravessa em frente seu carro, ela na moto desce seu capacete e o beija. Era o beijo de despedida que ficou em dívida.
O amor nasceu aí.
O mar estava bem longe de acalmar e vez ou outra a maré subia mas o que ela não acreditou foi que a vida estava quase gritando em seus ouvidos:

"Mar calmo não faz bom marinheiro"

E decidiu se jogar nas águas.
Foram meses nadando, boiando e sem desistir, algumas coisas a afundaram em certos momentos e não sei dizer ao certo onde mas aconteceu diversas vezes.
Sua confiança existiu por pouco tempo mas pela primeira vez na vida provou de algo doce, bom...
O nome disso é esperança.
Crescer sempre a assustou e no meio dessa maré as coisas pareciam assustadoras para uma criança que cresceu assistindo a praia de longe.
Algo mudou dentro dela. A amargura nunca deixou de existir mas as consequências dessa turbulenta corrente de sentimentos bons a fez fraquejar.
O álcool em madrugadas tristes substituíam os braços que ela nunca teve, seus textos preenchiam seu quarto porque não existia beijos para dar, e em um certo período ela se enxerga em um espelho sem rachaduras e acredita que conseguirá prosseguir sem que o quebre.
A culpa não é dela.
Talvez se tivesse acabado com tudo isso enquanto era bonito, ela não estaria agora escrevendo essas linhas com lágrimas nos olhos, ela desaprendeu como é ignorar o mundo e as pessoas, hoje chora por ter acreditado e amado demais.
Se culpa mesmo não aceitando a culpa e julga suas atitudes que lhe foi tirada todas as vezes que arrumou as malas mas no fundo pensou: "vamos fazer dar certo".

"Tenta de novo"

Já disse milhões de vezes na sua cabeça que seria a última vez que molharia o travesseiro com lágrimas mas elas sempre foram suas únicas companheiras fieis que jamais a abandonaram, sinceras e sem mentiras.
Há de acontecer o tempo em que as coisas se normalizem, quando uma boa noite de sono seja independente da companhia, como antigamente...

Ela sofreu por acreditar.
Ela não quer mais amar.
Ela vai fugir de tudo o que lhe aprisionar.

Se a quiser, terá que esperar.
Por favor,
Paciência.

Deb.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sadismo.

Sexta à noite.
Ana Luíza escreve mais uma carta.
Outra de tantas e tantas outras que nunca enviou e acredita que nunca as enviará.
Assim, sem concordância e sem nexo, escritas enquanto mordisca seus lábios ressecados e seus pés batem um no outro fazendo um barulho que sem saber o motivo gosta de ouvir.
Escreve o que te aflige. Escreve para quem ama, quem odeia e para si. Escreve para não se perder em tantas palavras desanexas que gritam em sua cabeça mas são incapazes de sair de sua boca.
Há sete dias Ana Luíza percebeu o quão cansados seus braços, pernas, mãos e pés estão, decorou a data porque foi a primeira vez em que desistiu da sua caminhada matinal, não conseguia se levantar e sem nenhum motivo concreto lágrimas molharam seu travesseiro.  E há sete dias Ana escrevem incansavelmente na esperança de tirar todo sobrepeso de seu corpo cansado já que as dores não são físicas, de alguma maneira  quer se libertar.
Inútil.
Hoje escreve sobre sonhos frustrados, amores e desapego, parece que ainda sofre por alguém além dela mesma, luta para evitar o choro quando o assunto toca seus sentimentos mais profundos e obscuros, frios e fingidos.
Ana para de escrever, estica os braços sentada na cadeira, cansada, faminta, com sono e entre trechos adormece.
Ana não sabe ainda mas esse sobrepeso vai passar.
Linhas e linhas não faz com que seus demônios desapareçam mas ela não conhece alguém tão confiável a não ser o fogo onde queima suas cartas que tropeçam suas angustias clamando por liberdade e por uma noite inteira de sono.


Deb
21:14 pm
18.07.2014

- Algumas pessoas são Ana, a maioria talvez, tem mais de Ana em mim e sei que também em vocês.

domingo, 6 de julho de 2014

Giuliana com G.

Ano passado conheci Giuliana.
Carioca, sotaque forte, "papo dez" como ela mesma diz. Engraçado como nossas conversas fluíam e permanecíamos por horas assim.
Giuliana também escrevia. Sempre me mandava seus poemas criados em cinco minutos, eram doces e aflitos alguns tão frustrados que dava para ouvir o grito nas palavras escritas.
Sinto saudade sempre de conversar sobre qualquer coisa, como foi seu dia e falar sobre o tédio do meu, brigar por não aceitar seus pedidos malucos de voar até o Rio e rir sem parar da pipoca, sua cachorra.
Giuliana entristeceu-se, saiu do País. Mora longe, com a mãe. Sumiu deixando minha cabeça imaginando aqueles olhos que sorri, pensando se ainda chora "sem motivos" como eu, penso sempre e não escrevo nunca. Talvez algum dia ela leia isso.
Giuliana sumiu. 
Mas nunca deixa de me visitar vez ou outra em algum momento do dia.

Deb.
07.07.2014
02:01 am

terça-feira, 29 de abril de 2014

Segura o choro e escreve.

Ando pensando tanto que nem sei como começar um texto...
Talvez dizendo que entre tantos pensamentos estão todos aqueles que você daria tudo, qualquer coisa para não pensar. Hoje mesmo prometi para mim: "sem textos tristes"; e quanto mais sensata eu tento ser mais ingênua acabo sendo. 
Cansei de ligar pontos, fofocas, conversas e fotos, essa coisa que divide e faz meu estômago revirar quase me surta quando penso longe por dois segundos e sinto vontade de chorar.
Talvez eu devesse ser dessas que  se finge de cega, surda e muda, fingindo ignorância e sendo feliz da maneira mentirosa, mas como?
A verdade dói.
Por isso tenho andado meio com um descaso mas na maioria das vezes me pego na esperança de mudança e insisto em crer que pela primeira vez algo dê certo na minha vida.
Cansei de fracassar, de ser difamada e diminuída por ser apenas como sou:
Doente de amor.

Deb
30.04.2014
00:23 am

domingo, 27 de abril de 2014

"Tenta de novo"

E mais uma vez
Tentando parar de tentar
E engolir a agonia do fracasso
Que me invade e me assombra
Até quando vou ficar na tentativa
De algo doce e simples
Que deixa de ser bonito por mentira
Por que o respeito falta
Quando o que mais tenho aqui é amor?
Por que seus olhos choram
Só depois de causar a dor?

.

Deb
27.04.2014
(Era pra ser um texto suave mas não sei se consigo mais)

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Trecho texto de rascunho.

Odeio textos que começam comigo chorando.
{...}
linha tênue entre lembrar constante e fingir esquecimento. {...}
Só eu sei como eu queria ter um lugar pra colocar minhas coisas quando me mandassem embora, queria ter um travesseiro meu para chorar e recomeçar no outro dia, tudo novo de novo, como sempre. {...}
é necessário dar valor quando se tem amor, porque depois que o laço vira nó {...}
Me sinto em dois extremos opostos, cheia de vazio, odiando o meu amor.

18.04.2014
10:02 am

quinta-feira, 13 de março de 2014

Bem me quer.


Me sinto pouca.
Tão baixa que me sinto entre o andar e os pés.
Vazia e fria que ainda não sei como as lágrimas ainda caem.
Desistências. Inútil escrever sobre isso já que me falta vontade para tentar.
Escrevo para não explodir mas só sei espalhar mais lamentações para me sentir mais ridícula como se isso fosse possível.
Minha vontade? Nem sei mais o que é isso.


13.03.2014
20:04 am