quinta-feira, 2 de março de 2017

Filha de Xangô

Seria perfeitamente normal se eu dissesse que não sinto mais algumas coisas. Normal pra mim, claro, mas mesmo perdida encontrei, ser livre e pertencer eram distantes e distintos demais pra mim... 
Ela mexeu comigo, bagunçou meu sentimento e escolheu ficar quando todas as outras escolheram partir. Ela deu a cara a tapa, combinou seus beijos e me envolveu em sorriso. 
Ela me conquistou pouco a pouco, com toda a paciência do mundo, com a consciência de que estava lidando com alguém cansada e machucada. Combinou o nascer do sol com meus cabelos voando e entre olhares sorriu, sorri pra mim... Me ganhou enquanto me fez suar no frio e com todo carinho singular, todos os pequenos detalhes de segurar na minha mão ou me olhar enquanto durmo. 
Pediu para eu não ter medo. E pela primeira vez em muito tempo estou aberta. 
Estou entregue. 
A filha de Xangô me quis. 
A filha de Xangô me tem.

06.06.2015

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